sábado, 31 de janeiro de 2009

CORPOS



O sono transpõe a interface
Da luz com a sombra
E teu olhos – monocromáticos-
Fogem dentro da noite
Mergulhando num eclipse somático.

Meus desejos serpenteiam em tua pele-pétala
Invadindo domínios, subjugando defesas,
Devorando aquilo que meus olhos delineiam.

A obtusa face da sede
Se revela e se expressa
Frente à tua
Sublime poesia de fêmea.

Não há tempo consciente para a fome;
Não há limite plausível para o corpo que, outro corpo, devora;
Não há fronteira,
Nome,
Hora...

Identidades fragmentam-se na explosão
Dos sentidos, na revolução da carne.

A lua inclusa sob um negro céu
Escorre em seu halo crescente
E denuncia o grito corporal do gozo.

No silêncio mais expressivo dos seres,
O sono transpõe a interface da noite com a aurora
E nossos olhos comungam anseios saciados
Sob um eclipse etéreo e redentor.


©Anderson Christofoletti


Um comentário:

Anônimo disse...

Eu adorei a poesia!!!

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