sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SILÊNCIO BRANCO


Neste cadafalso de paredes caiadas
Não irrompem sóis ou alvoradas.

A voz amputada,
A mão calada,
O papel sem mácula...

Silêncio branco.

As unhas do vento
Riscam o vidro
E dessangram
Arrebóis hemorrágicos.

Tentaremos suturar
Os lábios da ferida
Que a dor fecundou
Em seu silêncio branco?

O que fazer com este corte
Suspenso entre umbrais:
Viva ferida de onde
Escorre o horizonte?

Não sei, e,
Talvez,
Nunca saberemos...

Com a caneta
Rasgo minha alma
E esfrego meu afã
Sobre a parede caiada...

O silêncio branco ,agora,
Escorre vermelha liberdade.



©Anderson Christofoletti


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