“Às vezes o corpo ordena à alma feminina
A redenção de seu arsenal;
Em outras, a alma rege o corpo
Em sua vertiginosa tarefa de ser mulher.”
Sei que teu silêncio
Não representa uma derrota,
Mas sim um sinal
Para o início iminente
De tua revolução íntima.
Meus olhos finalmente compreenderam
Que a linha tênue de teus lábios selados,
Em sua expectante intenção,
Sustenta o silente desejo pela palavra completa;
Pela palavra repleta de vida e plenitude;
Pela palavra telúrica,
Visceral,
Contrafeita pela noite...
Feito um pacto entre deuses,
O vento tácito remove
Uma sinuosa madeixa de teu ombro
E um leve toque de eternidade
Perfaz tua história futura
Delineando o sulco
Entre tua cintura e teu quadril:
Gravura do desconhecido.
Há enigmas entrelaçados
Às janelas sob tuas retinas.
Há constelações verbais
Esperando leitura
No universo do céu de tua boca.
Há um signo de pazEntre teus dedos:Um abrigo de luzPara as horas taciturnasCunhadas em ébano...
Há umaPalavra-Pétala que se abre
Por entre espinhos necessários.
Há um tempo que percorre
Tua terra com suas relhas
Sem reparar muito no amor;
Sem reparar muito
Que este último,
Quando lapida seus caminhos,
Adota os passos do próprio tempo.
₢Anderson Christofoletti

Um comentário:
Muito lindo que escreveu.
As rosas então.... consigo sentir o aroma delas até!
São maravilhosas.
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