Muito embora já soubesse
Dos frágeis braços
Que delineiam os sonhos,
Prometi entregar-te todos
Meus domínios;
Todas as auroras subtraídas de meu peito.
Beijei teus olhos
Como quem sela um pacto tácito:
Cega doação de minha parte clandestina.
Confesso :
As mãos vazias e o caminho silente
Se faziam prováveis realidades (apenas prováveis).
À luz das trágicas – porém belas-
Entregas desmedidas,
Dessangramos juras de eterna cumplicidade;
Comungamos da excitante perspectiva
De uma nova face para paisagens conhecidas:
Recriaríamos a desordem para a onipresente rotina;
Refutaríamos as pegadas deixadas em testamento...
Mal sabíamos que as trocas intensas
Exigem pagamento em dor e silêncio
E que caminham –displicentes- sobre a tênue linha da liberdade,
Escrevendo versos apócrifos
Sobre folhas suspensas em crepúsculos desleais.
Desenhamos janelas para
Possibilidades impossíveis...
Ah, tola pretensão nossa
De amar o amor travestido de posse!
As lâminas do egoísmo
Cegaram nossas mãos zelosas.
A intenção subjugada
Pela ilusão de horizontes vagos
Perdeu-se no instante da colisão
De nossas próprias ausências.
E, quando o céu nos parecia abrigo perfeito,
Nossas asas já não sabiam a céu de brigadeiro
E o vento partiu nossa melodia
Devolvendo-nos dois uníssonos monocromáticos.
Em nossas almas restaram
Apenas correntes, paredes brancas
E segredos vários...
©Anderson Christofoletti

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