Teus dedos
Cobrem meus olhos
Como gaivotas em sereno vôo
Sobre oceanos infindos:
Delicadas estruturas
Que tecem sonhos
Em meio a terras desoladas.
Em tuas veias
A substância horizonte
Dissolve a areia das letras
-Derruídas palavras
Sob as engrenagens
Da máquina silêncio-:
Versos escravizados
Pelo amaro selar
De lábios.
A agreste estação
Seca o verbo
E não se entrega...
Orvalho prateado
Esplende sobre o cristal
De tuas retinas:
Vejo-te dentro da gota-lua
E,
Nua, a noite
Se insinua
-Serpente negra-
Em partes tuas
Guardadas pelo exílio
Da luz;
Pela ausência de olhos...
...É final de janeiro,
É madrugada
E me sinto mais teu
E mais inteiro...

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