segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

TEUS DEDOS...

Teus dedos
Cobrem meus olhos
Como gaivotas em sereno vôo
Sobre oceanos infindos:
Delicadas estruturas
Que tecem sonhos
Em meio a terras desoladas.

Em tuas veias
A substância horizonte
Dissolve a areia das letras
-Derruídas palavras
Sob as engrenagens
Da máquina silêncio-:
Versos escravizados
Pelo amaro selar
De lábios.

A agreste estação
Seca o verbo
E não se entrega...

Orvalho prateado
Esplende sobre o cristal
De tuas retinas:
Vejo-te dentro da gota-lua

E,
Nua, a noite
Se insinua
-Serpente negra-
Em partes tuas
Guardadas pelo exílio
Da luz;
Pela ausência de olhos...

...É final de janeiro,
É madrugada
E me sinto mais teu
E mais inteiro...

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