quarta-feira, 25 de maio de 2011

SABIÁ-LARANJEIRA



Coração de poeta
É repleto de despropósitos
Tão necessários
Quanto amar:

O botão temporão
Me imensa
Com seus ímpetos primaveris.

Meus desertos
-em silêncio-
Gritam oceanos.

Desvãos e lacunas me preenchem...

O canto do sabiá-laranjeira
Constrói um céu
Azul na palavra;
Traz forma de asa
Às letras
E
A cidade se abandona no concreto.

Nas copas das árvores de chuva particular
-íntima-
Frutificam-se raios de sol.

Sementes de garoa
Caem sobre o útero do dia,
Fecundam as letras
E,depois de sagrarem-se palavras,
Nasce a poesia.

P.S.As aves não usam as asas para cantar
E escrevem sua poesia no horizonte.


Anderson Christofoletti

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails