A tarde
Arde em cor
E caminha
Da mão menina
À flor
No cabelo
Moreno
Da morena
Que traz
A lascívia sem fim
Entre os dentes
-lânguida guarida-
Feito rosa ferida
De batom carmim.
Na dramática explosão do arrebol
Estilhaços de cor
Rompem a linha fêmea da tarde
E fecundam o céu.
O vento deixa seu rastro
Nas folhas ruivas atemporais.
A fuligem das horas
Cunhadas pelo tempo
Sedimenta-se por sobre
Os cílios da máquina
De coser dias.
A voz doce da luz
Põe versos entre as copas
De almas verdes
E decreta que
Para além das portas
Deixarás tuas justificativas
E teu medo de usar a felicidade;
Terás de aprender a engendrar
Constelações em noites de cega escuridão,
Pois é no silêncio quase absoluto
Que palavra resplandece
E se faz aurora.
Fragmentos soçobrantes
De beleza
Colhidos por olhos desatentos
Se espalham em luz
À margem de um sorriso
Perdido em meio
A um dezembro paulistano.
É dia 24.
Acontecimentos de explicações desnecessárias
Disseminam tons sublimes
Por sobre os tijolos do cotidiano;
Algo imenso demais para nossas palavras
Simplesmente acontece.

Um comentário:
Lindo isso! Vou ler várias vezes...
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