sexta-feira, 30 de novembro de 2012




É sempre esta disparidade de entregas,
Esta devoção desmedida ao outro corpo,
Esta face
Desigual do desejo.
É sempre este sentimento que sangra e dói...

Por que meu olhar se perdeu em teu horizonte?
Por que minha alma fez casa entre o traço de teu rosto
E tomou gosto por tudo que não tange a razão?

O costume frente às mãos desabitadas de carinho,
A ausência do gesto solícito
Tão comum às almas afins:
Aquele gesto tão infenso a molduras
E que nada sabe sobre a vida dos olhos
E o calor dos abraços.

Por quê?

Por que,
Mesmo em noites sem luar,
Tudo que emana de ti
Sabe a aurora?
Por que tudo que, em mim,
Nasce sob tua luz
É vida em sua quintessência,
Se meu grito já não reverbera,
Se meu silêncio permanece incólume?


Anderson Christofoletti

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