sexta-feira, 27 de março de 2009

TALVEZ


TALVEZ



A chuva
Com suas mãos cinzas
Apaga o sol da janela
Deixando apenas o gosto ácido
De suas lágrimas
Sobre o vidro.

O sol se foi mais cedo hoje.
Talvez outono traga a paz
Tal qual uma tela de Cézanne;
Uma tarde acolhedora de março
Sem tempo ou espaço,
Apenas cores,perfumes,folhas
E teus olhos.

A taça de cabernet e a rosa branca
-Sob o exílio da pedra Dallas-
Estão à margem da órbita
Monocromática da vida em lá menor.

Talvez saia pela porta deixando
Que meu corpo caminhe um pouco;
Talvez continue nesta página
E faça o mesmo com minha alma.

Talvez tente desnudar a face oblíqua do tempo,
Feito rosto despido pelo vento.

Talvez dê algum gosto à insípida rotina.

Talvez decida caminhar de fora para dentro:
Palavra clandestina que me caminha.

Talvez apenas desista das certezas
E flerte com o que o destino me destina...


©Anderson Christofoletti

Um comentário:

Anônimo disse...

Talvez seja a felicidade uma taça de incertezas ou umtrago de esperança. A criança é feliz porque vive aquilo que conhece, ou seja, o nada, e exatamente por isso não espera, não imagina situações reais, apenas as fantasias maravilhosas que passam pela sua cabeça. Talvez, viver feliz seja viver simplesmente a incerteza, o talvez, esperando que este talvez, seja sempre o melhor.

Como seria bom se tudo isso pudesse ser fácil.

Gostaria de carregar na alma a inocência e a certeza da incerteza, do talvez, de uma criança.

Beijos... atrasados pela leitura.

Adorei a poesia.

Beijos, beijos, beijos.

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