sexta-feira, 26 de março de 2010

LASCÍVIA



“Nadie comprendía el perfume
De La oscura magnolia
De tu vientre” Federico G.L.


Fonte e foz se encontram
E inexplicavelmente se entrelaçam
Na febre insana das correntezas.

Minhas mãos inquietas buscam
Por segredos exilados
Nas cálidas curvas de tua silhueta.

Nossos olhos tornam-se
Dois silêncios que se entrecruzam,
Se atravessam,
Mas que se compreendem
Como dois instintos
Entregues à ordem visceral da carne.

Teu hálito em meu rosto;
Meus dentes em teu pescoço...
...tenho fome de ti.

Quero devorar tua boca:
Sorver de teus lábios
A lânguida vertigem do êxtase.

Quero tua pele,
Teu pêlo,
Tua mucosa
Úmida de desejo.

Quero tua carne:
Traduzi-la, interpretá-la, penetrá-la...
Quero o gosto de suor
Que escorre e delineia
Teu íngreme relevo.

Quero a maciez de teus seios
Frêmitos sobre meu peito nu
E a rigidez de teu ventre
No etéreo instante do gozo.

Tenho fome de ti.
Tenho fome de teu corpo
Na antipoesia do coito.

Tenho fome do grito em convulsão explosiva
Que nasce e se esvai em meio à
Sincronia anacrônica dos corpos.



©Anderson Christofoletti

4 comentários:

Claudia R.S disse...

"Tenho fome de teu corpo
Na antipoesia do coito."

Esses versos me perseguiram por horas na tentativa de decifrá-los. Abandonei a ideia.

Anderson Christofoletti disse...

Essa é a idéia,Claudia:
a imaginação do leitor é o melhor verso da poesia.

Claudia R.S disse...

Mário Quintana disse uma vez que "A poesia não se entrega a quem a define". Também concordo. O sentir, o imaginar, o recriar, o fantasiar devem imperar na leitura. Mas tudo me emperrou nesses seus versos.rsrs

Lilith disse...

Linda, intensa e...quente, muito! Adorei!!!

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