
A ave desenha com trinos
A tarde sobre
A divina quietude
Do que é natureza
Sua asa atravessa
O silêncio acumulado
Entre alucinações
De estrelas trêmulas;
Entre chagas cruentas
Nascidas pelas espadas
Invisíveis do azul.
Hemorrágico arrebol
Que sela o último segredo de ternura
Roubado do crepúsculo da flor.
-Quantos sonhos cabem no cata-vento?
Grave espectro que passa pelos tons
Sem quebrá-los:
Fatal sentimento
De ter começado pelo fim,
Noite edificada
Sobre triunfo de sangue
Pelo infinito azul.
Enquanto cavalos negros
Escorrem pela tarde calada,
Tua palavra alada
Leva -entre garras-
O silêncio das auroras em meu peito.
Nas palmas das mãos do horizonte
Adormecem arranhões de fugazes olhares
E ,entre rosas e crisântemos amargos,
Espinhos tecem signos ebúrneos
Sobre a hora fria.
A lágrima se cala
Enquanto a alma da paisagem
Esquece dos desejos vãos.

4 comentários:
Vejo que serei redundante: Lindo texto!
Adorei a pergunta:-Quantos sonhos cabem no cata-vento?
Adoro essa imagem! Parabéns
Oi,Claudia!
Obrigado pelo comentário.
Já percebi que você adora ir sempre ao coração das coisas...
bj!
Vou, sim, aonde a palavra pulsa, alimento-me assim, do pulsar das coisas! bj
ANDERSON!
FELIZ ANIVERSÁRIO!!!
Fiz uma postagem no Dihitt sobre teu Dia.
Apareça lá.
Me adiciones.
Maria Marçal - Porto Alegre - RS
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