A gota de vinho
Escorre junto ao vício da boca,
Rompe a rotina da língua
E ,entre lábios,
Busca a carne em flor:
Lânguida vertigem do pescoço,
Íngreme espádua,
Translúcido Bordô
Sobre a fina pele
Das curvas tácitas
E incertas
Do corpo.
Entre incandescência e brandura
Ela se perde em devaneio oblíquo
Que, ora sabe a infinito;
Ora, a rósea ruptura.
Etílica
Volúpia
Volátil
Que se enlaça ao cheiro do corpo,
Ao gosto
Do sexo
Do outro...
Prolixo segredo
Que, sem fonte ou foz,
Abriga-se na influxa convergência do afã:
Veio de rio em correnteza
Onde dorme a paz
E amanhece a sede retesa
De uma gota de vinho
Sobre tua silhueta.


2 comentários:
Precisei vir até aqui dizer novamente que consegui sentir a tal gota de vinho correndo devagar pelo pescoço... muito bom!
:)
bjo.
Gota de vinho sobre tua silhueta,sede maravilhosa esta!
Incandescentes teus versos,meus parabéns!
Quanto ao vídeo fique a vontade,vou assistir o do leite,tbm não me lembro muito bem das cenas do filme!
Grande beijo
Sophi
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