segunda-feira, 6 de setembro de 2010

INFINITAS FECES DE TEU SORRISO







I

A mão, solicita, toca
A maçã de teu rosto
Capturando palavras sem pronúncia

Numa fuga inconsciente
Do hábito de apenas existir
Banho-me na foz de todo desejo
Mimetizado sob a forma de silêncio.

O gesto fragmenta-se no espaço
E os corpos apartam-se pelo tempo...

II

Carrego teu olhar
Junto às infinitas
Faces de teu sorriso:
Refúgio para dias de possibilidades impossíveis.

Acordo por entre
Nuvens de pedras,
E percebo a impossibilidade
De traçar
Novos rumos sobre estradas
De pegadas e sombras tatuadas.

A lembrança de meu rosto em teu colo
Adormece minha alma;
Acalma meu coração
Do inconformismo
De ser tão igual a todos
Os outros e ,mesmo assim, ser tão sozinho.

O caos se dissipa
Em meio a palavras
Arquitetadas para sua boca.

A tarde desce.


III

Quando a noite invadir a varanda, te darei
Uma lua de presente e, talvez,
Me presenteies com teu sorriso mais promissor:
Aquele que reflete o céu
E todas suas possibilidades.


IV


O tempo recolhe fragmentos, une corpos, traz a noite...

Acolho-te em meu peito
E teu silêncio parece me dizer
Que o único medo
Que sobrevive ao tempo
É a solidão.
Fechamos os olhos e , por instantes,
Esquecemos o vício de apenas existirmos.


A.Christo

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