terça-feira, 5 de fevereiro de 2013



Os longos dedos da noite enraizaram-se por entre as velhas hélices do tempo
E o silêncio negro do céu parece arrefecer qualquer intenção de estrela.

Tenho os olhos cansados para sonhos pueris
-a velha infância já não sabe a sonhos gris-.
As retinas parecem fartas de gestos coadjuvantes.

A brisa notívaga conduz um leve perfume branco de lírio
Às minhas mãos: talvez memórias de afagos longínquos que a alma
Ainda não conhece; talvez novas leituras para afetos de antanho.

É madrugada.
O silêncio subjugou toda intenção de voz
E o céu decretou sua escuridão.

A rosa ensaia uma nova nuança enquanto a aurora se demora;
O sabiá se arrisca em um semitom acima;
A caneta ameaça ferir o papel com sua palavra pungente:
A mão insiste na antiga viagem,
Mas já não recria horizontes
E perde-se na intenção do verso.

A palavra parece aflita,
Ela quer nascer,
Mas o silêncio ainda se faz necessário.



Anderson Christofoletti

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